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Oxigênio das organizações

A palavra “comunicação” deriva do latim “communicare” e significa partilhar ou tornar comum. Hábito frequente entre todas as pessoas, comunicar, cada dia mais, passa a ser uma ação estratégica. Dentro das organizações, isso é ainda mais latente. A comunicação é uma ferramenta essencial para alcançar os objetivos estratégicos de uma empresa, garantem especialistas, e precisa ser bem gerenciada. 

A comunicação, hoje, organiza a experiência do tempo e do espaço das organizações por meio das narrativas, de forma ampla, pessoal, visual ou comportamental. Para legitimá-la, é preciso saber como ela é realizada no ambiente de trabalho, na sociedade e em um mercado formado por inúmeros públicos e variadas redes de comunicação, ressalta o diretor-presidente da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), Paulo Nassar. “É por meio do processo de legitimação que a organização passa a ter licença social para operar. Para isso, a comunicação é essencial. Se a organização tem ameaçada sua licença social para operar, ela provavelmente terá problemas em algumas situações ou poderá até fechar as portas”, explica ele.

Nassar frisa ainda que é fundamental que as lideranças das organizações, cada vez mais, tenham uma cultura em comunicação e não vejam mais a ferramenta como algo pontual, independente do público, seja ele interno ou externo. “Hoje, a comunicação é estruturante de uma cultura de procedimentos. Ela é o oxigênio que as organizações respiram. Os dirigentes precisam entender que a comunicação é o componente mais importante do relacionamento. Se você não tem uma comunicação planejada e mensurada, provavelmente terá um impacto nos relacionamentos.”

Por ser tão fundamental para as organizações, a comunicação é mais um dos assuntos discutidos nas especializações promovidas pelo SEST SENAT e coordenadas pelo ITL, que compõem o Programa Avançado de Capacitação do Transporte. São três cursos oferecidos gratuitamente aos gestores do transporte dos diferentes modais: Especialização em Gestão de Negócios, ministrada pela Fundação Dom Cabral; Certificação Internacional Aviation Management, ministrada pela Embry-Riddle Aeronautical University; e Certificação Internacional em Gestão de Sistemas Ferroviários e Metroferroviários, ministrada pela Deutsche Bahn Rail Academy.

Para o diretor-executivo do ITL, João Victor Mendes, investir em comunicação é cada vez mais essencial para o ambiente corporativo, justamente porque é por meio dessa ferramenta que as empresas se relacionam com os colaboradores, com os fornecedores, com os clientes e com a sociedade de forma geral. “Em um momento no qual a comunicação tem sido tão valorizada, as empresas não podem mais se manter distante dessa realidade. É fundamental pensar na comunicação como ferramenta estratégica para alcançar os objetivos.”

Porém, apesar de serem estratégicos, os processos comunicacionais realizados pelas empresas ainda possuem falhas que podem comprometer o negócio, independentemente do segmento ou do porte da organização. Na visão do professor da FDC (Fundação Dom Cabral) Guilherme Miziara, é necessário que a comunicação seja efetiva e eficiente para gerar desenvolvimento. Ele, que é formado em comunicação e mestre em sistemas de gestão, alerta que, se mal utilizada, a comunicação pode gerar problemas e conflitos. “A comunicação possui importância fundamental, mas não adianta ter um ótimo projeto se as pessoas não entenderem, não aderirem a ele, principalmente por falta de entendimento. É preciso adequar a linguagem. Não existe um bom processo sem uma boa comunicação.” 

Miziara ainda frisa que o primeiro passo para iniciar uma comunicação em um ambiente corporativo é definir qual o público que se quer atingir. “A forma de se comunicar vai depender muito do público. Quando se está entre as lideranças, é possível ser mais formal e objetivo. Já quando um líder está entre os colaboradores, pode ser que seja preciso explicar com mais calma. É preciso se adequar ao momento e às condições do público. O colaborador não pode se sentir oprimido no momento de fazer um comentário ou de mostrar que não entendeu algum ponto.” 

A mesma regra vale para fornecedores e clientes. É preciso entender as especificidades e os interesses de cada público. Com o crescimento da internet, as empresas precisam também se adequar e ficar atentas às melhores formas de chegar a esses públicos. Paulo Nassar, da Aberje, salienta que é preciso ter uma abordagem transmídia, ou seja, saber que a mensagem é produzida para ser disponibilizada em diferentes plataformas e canais e que ela deve ser adequada para cada um deles. “Temos os canais tradicionais, mas temos mensagens que precisam ocupar as mídias digitais. Em uma sociedade digital, as relações mudam a cada segundo. Uma pessoa leva nove meses para nascer, mas ela pode morrer em segundos, o mesmo pode acontecer com a imagem de uma organização.”